Assim como eu

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Assim como eu

Dia das mães, ai que orgulho senti da minha filha em sua primeira apresentação na escola, amor de mãe só entende quem vive, quem tem filho. Recebi cartões e declarações de amor durante uma semana, diariamente. Esta semana recebi um bilhetinho da escola: Mamãe, agora é a sua vez de enviar um desenho pra escola. Pensei... ai e agora??
Sou tetra, não movimento as mãos, escrevo pouco, com uma adaptação; e desenho, não faço há anos! Bom, coragem e mãos a obra afinal agente se supera todo dia! Pensei, pensei e decidi fazer um desenho colorido e com poucos traços, fiz nossa família bem grande pra facilitar. Desenhei nossos rostos, contornei com canetinha e colori para ficar bem alegre e lúdico. Quando minha princesa chegou a casa mostrei a ela: – Olha filha o desenho que fiz para que tu leves à escola! Gostou? Ela respondeu: – Sim, adorei, mas onde está tua cadeira mamãe?

Pois é, escondi a cadeira atrás do desenho, conscientemente ou não, mas nunca imaginei que isto fizesse diferença. Sim ela me vê como “normal”, mas há algo diferente e isto não pode ser “apagado” faz parte de mim! Já sei que nas próximas terei que dar um jeito de aprender a me desenhar na cadeira de rodas...

Depois disso me dei conta que assim como pra ela é importante me ver completa, para uma criança que tem uma deficiência também é importante poder brincar e ter bonecas com quem possa se identificar. Assim como para as crianças que não tem deficiência nenhuma também é importante saber que elas existem e são diferentes com naturalidade.

Pesquisando conheci a campanha “Toys like me” de mães e pais britânicos de crianças com deficiência que têm lutado para que as grandes fábricas de brinquedo façam brinquedos para que seus filhos possam espelhar-se, bonecas cadeirantes, com bengalas, implante coclear, cães-guia, cicatrizes e tudo aquilo que é o normal da vida de todos nós.

Por volta de 1997 existiu uma boneca amiga da Barbie que era cadeirante, a Becky, fez sucesso, mas infelizmente ela não cabia na casa da Barbie e então a fábrica ao invés de aumentar a dimensão dos cenários dela, casa, consultório e tudo mais, tirou a Becky de circulação. Duro não? Se você não entra na minha casa porque tem portas estreitas, fácil... Elimino você da minha vida ao invés de adaptar minha deficiente moradia!!!
cadeirante Becky

cadeirante Becky

Os tempos são outros e parece que a campanha #toyslikeme, que quer dizer “brinquedo como eu” já tem dado frutos e algumas empresas britânicas prometeram brinquedos inclusivos para breve.  A pioneira foi a Makies que está fazendo suas bonecas sobre encomenda, com as características que o cliente desejar. Enquanto isso, encontrei no mercado livre a tal Becky pela bagatela de R$ 499,99, como virou raridade está totalmente inacessível para os brasileiros e quiçá para o mundo todo. Quem sabe estes brinquedos virem moda e se espalhem pelo mundo de forma justa e inclusiva! 

Débora,

Inclusão de Lego
Brinquedos com nova cara!

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