A esperança é a última que morre!

quinta-feira, 23 de abril de 2015


Pois é queridos companheiros de rodas, acredito que todas as pessoas que por algum motivo acabam precisando de uma cadeira de rodas para seguir a vida têm algumas fases psicológicas que viver para a devida aceitação. Afinal, é difícil reaprender a viver principalmente quando isso se dá na fase adulta ou na adolescência quando já se tem independência e uma vida estruturada.
Geralmente há o período de revolta e depois a aceitação, depois de muito trabalho e esforço acontece a reabilitação, quando conseguimos levar uma vida “normal”, convivendo com todas as limitações que uma lesão ou doença degenerativa nos trás. A gente, mata um leão por dia, acorda com nossas limitações e dorme com elas também. Quando parece que tudo não passou de um pesadelo e temos aquele sonho em que levantamos da cadeira de rodas e saímos por aí, acordamos de manhã e a realidade volta à tona.  Depois de muitos anos, agente já nem lembra mais a sensação de caminhar, o prazer de correr e tantas outras coisas que cada um perde nessa trajetória.


Falo de tudo isso para chegar ao ponto que me interessa neste post, as pesquisas de cientistas para a “cura” da lesão medular e tratamentos de outros casos específicos. Estamos vendo cada dia mais próximo de nós possibilidades que certamente trarão, no mínimo, melhora da qualidade de vida das pessoas com deficiência. Mas também é importante sabermos que uma terapia desta ainda levará muitos anos para ser usada eficientemente e os resultados talvez não sejam iguais para todos. Apesar de ter avançado muito, os médicos, pesquisadores e cientistas não têm o controle total da situação e as questões neurológicas ainda são um grande mistério.

Há cadeirantes, principalmente os lesados medulares, que vivem para buscar esta tal “cura”, outros talvez pela imaturidade de sua lesão se dizem presos a uma “porcaria” de cadeira de rodas e querem se livrar dela; loucamente se entregam a loucos tratamentos que prometem algo que provavelmente não podem cumprir, pagam fortunas por esperanças dúbias que podem até deixar a coisa pior do que já é! Será que isto tudo vale a pena? Além desses há também os que não aceitam e se entregam por não ter forças pra lutar, e por fim temos quem aceita, sofre, mas olha para frente e vislumbra uma vida diferente, defícil, porém cheia de possibilidades: de amar e ser amado, de trabalhar, de lutar por uma causa e principalmente de ser feliz.

Estes últimos têm sim esperança, mas preferem deixá-la quieta, escondidinha para que venha a tona somente no momento em que estas pesquisas forem garantidas e possam chegar de forma segura, para uma real melhora de vida. Estes não querem ser cobaias, querem algo certo e que possa transformar suas vidas para melhor com o mínimo de possibilidade de frustrações e decepções, até porque já viveram muitas perdas e já renasceram das cinzas uma vez.

Para que este dia chegue, o dia em que estas terapias nos possibilitem ganhos reais de independência, melhoras físicas e neurológicas é preciso ter paciência, cuidar de nossos corpos para estarmos prontos para uma nova batalha. Mas enquanto este dia não chega, continuamos com a vida possível de cada um, curtindo nossos amigos, família e nossas vidas sem pensar demais no dia de amanhã, sem virar escravos das possibilidades, mas sem nunca parar de sonhar.

Até a próxima!

Débora


3 comentários

  1. Belo texto, parabéns Débora! Eu sou desses últimos.

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  2. Eu não estou inserido em nenhum dos casos acima, pois o paradigma. De quem é VC e o que faz não deixa, não permite que tenhamos a pretensão de avançarmos um passo na direção de um estabelecimento, nem uma fisioterapia posso ter por estar em uma direção relativamente contrária e iimpossível de tê-la. Quanto mais sonhar em algum restabelecimento, " como disse em um post anterior " " neste caso TER É MAIS IMPORTANTE DO QUE SER " pois serei eternamente um inválido aos olhos de quem eu dependo, tenho um celular para estar aqui lendo e falando com vcs , sonhar é a única coisa que não me provaram ainda, devido aos remédios fortíssimos que tomo para não me tornar um " aleijado" MIMIMI!!! E ainda por cima um demente que teve traumatismos graves e um cuidado da rede pública deficiente, tão qual a minha situação!!! Obrigado e desculpem-me!!!

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