Virei Pai Depois de Virar Cadeirante

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Pai cadeirante

Jonas Kernitskei, 32 anos, tetraplégico há quatro, pai há alguns dias.

No dia fatídico, de vinte e oito de novembro de dois mil e dez, numa tarde de muito calor um mergulho desastrado em uma piscina mudou de forma radical o curso do meu "caminhar". Uma lesão na altura da quinta vértebra e o diagnostico de tetraplegia, por enquanto, irreversível.


Logo após o ocorrido eu sabia que estava tetraplégico, pois não sentia movimentos abaixo do meu tronco. Porém a forma que foi abordada a situação pelos profissionais, os quais trago grande estima, fez com que eu não entrasse em desespero. Foi-me dito que a lesão era incompleta e que havia possibilidade de retorno dos movimentos na medida em que o inchaço no local da lesão fosse diminuindo, e como eu sentia uma pequena sensibilidade nos membros paralisados agarrei-me nessa esperança. Já no hospital senti uma melhora em meus braços e também um pequeno aumento na sensibilidade. 


Depois de trinta e sete dias recebi alta e continuei minha recuperação em casa, posteriormente passei um período em Curitiba, no Centro Hospitalar de reabilitação Ana Carolina Moura Xavier e também passei por um programa de reabilitação e adaptações na Rede Sarah de Brasília. Eu tinha em mente que em até dois anos, os movimentos iriam retornar. Não retornaram, mas esse período serviu para que eu fosse me adaptando mais facilmente a nova realidade. Digo adaptando porque hoje eu sei que, a aceitação da situação é impossível, porem a adaptação à ela sim.


Jonas Kernitskei cadeirante com sua esposa
Jonas com a Elaine ainda grávida 

Quando ocorreu o acidente eu namorava a Elaine havia algum tempo. Não percebi em momento algum da parte dela, alguma mudança no trato comigo. A ternura que via em seus olhos a cada vez que os buscava era o remédio que acalmava o meu ego. Fugindo de qualquer clichê, verdadeiramente foi minha fortaleza. Enfim, nossa relação a cada dia tornou-se mais sólida. Em 2012 juntamos as escovas de dente. Todo o casal que se casa planeja ter filhos, conosco não foi diferente. No Sarah participei de palestras e de conversas particulares sobre o tema, o que me deixou mais tranquilo e seguro sobre o assunto, pois muitos caminhos haviam. 


A organização e adaptação de nossa casa foram protelando o plano dos herdeiros. Confesso que quando, mais seriamente pensava no assunto, e também influenciado por um pré-conceito de sobre nós, cadeirantes, achava que o caminho mais viável fosse através de algum tratamento especifico, porém, no ano passado, da forma "convencional" descobrimos que a Elaine estava grávida e o João Davi chegou, para aumentar ainda mais o nosso amor, no dia 22 de dezembro.


Jonas Kernitskei cadeirante com sei filho

Jonas Kernitskei cadeirante com sei filho
Jonas com seu filho João Davi

Concluo que se pode viver bem com a tetraplegia, desde que três coisas estejam contigo, o acaso, sua autoestima e o amor de seus familiares. No entanto, se ainda você tiver a sorte que eu tenho, de ter um amor verdadeiro, uma pessoa que não se encontrarão palavras pra descrever o quão é especial na sua vida, e ainda que te dê um João Davi então...

Esse depoimento foi enviado pelo próprio Jonas para o blog Cadeirantes Life. 

Se você tiver dúvidas ou ideias para novos posts, mande para cadeirantes.life@gmail.com 

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