Superando os limites da alma

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Debora Haupt nos limites da alma

Apaixonada pela dança, essa sou eu. Daquelas que numa festa começa a dançar na primeira música e só para na última. Dediquei boa parte da minha adolescência a um grupo de danças tradicionais, onde fiz muitos amigos, conheci meu grande amor e vivi momentos inesquecíveis.


Debora Haupt com seu marido
Dançando com meu marido


Aos 26 anos, um acidente bobo quase tirou minha vida, me deixou tetraplégica e levou muitas coisas que eu amava fazer, pelo menos do jeito que agente está acostumado a ver.

No meu processo de reabilitação tive uma psicóloga, que foi muito marcante pra mim, que me disse assim: - Promete pra mim que o dia que tu tiveres vontade de dançar tu vais, sem medo e sem preconceito.

Um ano depois do meu acidente fui para a primeira festa de casamento desta “nova vida”..., eu via todos, primos, amigos dançando felizes e curtindo a festa, assim como eu sempre fiz; e eu sentada na minha cadeira, triste. Nesse momento lembrei-me daquela frase que poderia me libertar e pensei: - Por que não ir pro meio daquelas pessoas e ser feliz, deixar o som me levar, como sempre fiz?


Debora Haupt no casamento
Dançando no casamento

Desde este dia, nunca mais deixei de curtir um momento quando ele aparecesse pra mim. Com meus amigos cadeirantes fomos a baladas, dancei em vários países por onde tive o prazer de viajar e me libertei de toda a vergonha ou medo que eu poderia sentir.


Debora Haupt balada
Na balada

O poeta Augusto Branco disse: “Não é o ritmo nem os passos que fazem a dança, mas a paixão que vai na alma de quem dança.”

Neste mês de janeiro, casou-se uma amiga, minha irmã por opção, dançarina como eu, amiga de infância, de toda vida. Bailou como nunca nos braços de seu amado, grande amigo e meu parceiro no tablado... foi emocionante vê-los e lembrar de tantos momentos vividos juntos no palco, unidos pela dança. Quando começou a festa, lá fui eu, com minha filhota, meu marido, para o meio do salão. Fiz uma amizade nova, um senhor com uma deficiência em um dos braços, super animado, se identificou comigo e dançamos varias juntos... unidos pela vontade de ser feliz, pela alma cheia de alegria e vida. Que importa se danço com a cabeça ou com as pernas, se faço passos incríveis ou se somente curto o som com meu coração?


Debora Haupt com amigas cadeirantes


E como diz Martha Medeiros: “O mundo já caiu, só nos resta dançar sobre os destroços. Nosso maior inimigo é a falta de humor.”

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