Aline Rocha "Não importa a sua condição, pratique atividade física"

sexta-feira, 3 de outubro de 2014


Olá cadeirantes e andantes, hoje nosso papo é com Aline Rocha, paratleta de atletismo de 23 anos.  Praticante de corrida em cadeira de rodas a quatro anos e esta na cadeira desde seus 15 anos.

E hoje Aline vai nos contar da sua vida depois da deficiência e sua iniciação no esporte. 

Cadeirantes Life - Aline como foi para você aceitar a cadeira de rodas?

Não foi difícil aceitar a minha nova condição, ainda no hospital quando a psicóloga estava relutante em me dar a notícia, eu já sabia o que ela iria dizer, e não fiquei muito preocupada no momento. A fase mais difícil foi voltar a escola, onde meus amigos e professores iriam me ver na cadeira de rodas, no primeiro dia que voltei a escola fiquei com vergonha. Mas ao contrario do que imaginava, fui recebida de braços abertos e os novos amigos que fiz, me ajudaram a me aceitar nessa nova vida. 

Ao ir para o centro de reabilitação Sarah em Brasília, também conheci muitas pessoas com diversos graus de comprometimento da deficiência, isso me mostrou que eu não poderia reclamar por ter ficado paraplégica, pois haviam pessoas felizes em situações muito piores que a minha.

A família, os amigos, a escola, o esporte e a faculdade tiveram e tem papel fundamental para minha vida.




Cadeirantes Life - Como o esporte entrou na sua vida?

Quatro anos depois de estar na cadeira de rodas fui convidada a conhecer uma associação esportiva para pessoas com deficiência em uma cidade visinha de onde eu morava. O treinador da Associação Regional dos Atletas com Deficiência (ARAD), percebeu que eu tinha a possibilidade de correr e me convidou para participar do PARAJASC (Jogos Paradesportivos de Santa Catarina) na prova de corrida nos 100, 200 e 400m. No início relutei mas acabei aceitando. Sem muito treino, logo na primeira competição conquistei 3 medalhas de bronze e foi amor a primeira vista pela corrida, pela sensação de liberdade. 

Em 2011 participei novamente e conquistei 2 medalhas de ouro e uma de bronze, no ano seguinte as 3 foram de ouro. O esporte me mostrou que eu ainda tinha muito para viver, que tinha habilidades, me trouxe alegrias e vitórias. Agora em 2014, saí de Santa Catarina para treinar em São Caetano do Sul, e conquistei o recorde brasileiro nas provas de 800m, 1500m e 5000m. Estou treinando para ser cada vez melhor, superando sempre minhas marcas, pois acredito que meu limite ainda está bem longe.




Cadeirantes Life - Qual o gostinho de ser bi-campeã da São Silvetre?

A corrida Internacional de São Silvestre do ano de 2012 foi a competição mais difícil que já participei, até o momento, devido a minha inexperiência em provas de rua na época e quantidade de subidas ao longo da prova. Mas também foi a mais gratificante, pois apesar de ter chegado atrasada na prova e perder minha luva ao longo do trajeto, consegui chegar até o fim, na primeira colocação, com centenas de pessoas gritando palavras de incentivo. 

No ano seguinte com um Equipamento esportivo novo, diminui em 20 minutos meu tempo, e já não sofri tanto com as subidas. A sensação de superação e dever comprido não tem explicação. 

Esse ano espero fazer uma prova ainda melhor, e superar mais uma vez esse desafio.




Cadeirantes life - Não é de costume ver um(a) cadeirante fazer faculdade de Educação Física, já sofreu preconceito em cima disso?

Creio que a alguns anos atrás esse tipo de preconceito era mais frequente. Porém, hoje, os atletas estão cada vez mais entrando para a Faculdade, inclusive de Educação Física. No meu caso não houve nenhum tipo de preconceito, pelo contrário, os professores e acadêmicos me receberam muito bem. Inclusive ministrei palestras dentro da própria universidade para acadêmicos, e mais incrível ainda, para professores formados, onde falei sobre a importância da Educação Física escolar para o desenvolvimento psicomotor de crianças com deficiência. 

Em meus estágios na educação infantil, ensino fundamental e ensino médio passei por diferentes situações, mas sempre fui respeitada pelos alunos. É claro que algumas vezes ouvia frases do tipo "Profe deixa eu empurrar sua cadeira" ou "Profe deixa eu dar uma voltinha", (risos), mas com o passar das aulas eles entendiam mais o por que da Profe estar em uma cadeira de rodas e por que eles não poderiam ajudar a empurrar a cadeira. 

Percebi que as crianças não tem malícias, são os adultos que vêem a cadeira de rodas como um monstro e tem receio que seus filhos fiquem perto de uma pessoa com deficiência.

Cadeirantes Life -  Você acha que o esporte só veio na sua vida em virtude da cadeira de rodas?

Sempre tive aversão ao esporte e tudo que se relacionava a prática de atividade física. Na escola me escondia dos professores para ficar de fora das atividades. Apenas depois de estar na cadeira de rodas o esporte foi me apresentado como uma forma de reabilitaçãono centro de reabilitação Sarah em Brasília, e depois na associação ARAD, onde comecei a praticar atletismo. Por isso sempre ressalto que minha vida não é definida em antes ou depois da deficiência, mas em antes e depois do Esporte. Mas o Esporte só apareceu depois da Deficiência. 

Muitas pessoas reclamam que não tem condição física para praticar um esporte, mas no esporte paraolímpico existem modalidades e divisões de classes para que todos possam ser incluídos. 



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