Valores

segunda-feira, 15 de junho de 2015


Meu post de hoje não será sobre dicas e nem novidades para pessoas com deficiência, será para pararmos um minuto para refletir sobre os valores da nossa sociedade.

Vivi uma experiência bem recente com a associação da qual faço parte na minha cidade; participamos de uma votação entre onze entidades “beneficentes” do nosso município em que uma empresa de comunicação lançou um calendário que a venda reverterá dinheiro para seis destas entidades. Inclusive agradeço a quem votou na AMDEF ou em outra entidade, já que a votação foi divulgada aqui no blog.
Fizemos campanha e participamos sabendo que as outras entidades tinham mais “tempo de vida” e infelizmente não foi desta vez, mas o importante é participarmos, já que todas merecem!

Mas, o que motiva meu post, não é exatamente falar de quem ganha ou perde, mas sim refletir o resultado da votação em si, ou seja, analisar a atitude de cada votante, da intenção das pessoas em colaborar, participar e “beneficiar” uma entidade pelas ações que ela realiza para a sociedade. Para quem quiser ver o resultado, basta acessar: http://www.asmaismais.com.br/ultimas/id/23619/conhe%C3%A7a-as-seis-entidades-farroupilhenses-que-ganhar%C3%A3o-5-mil-reais-cada-
O que me chama muita atenção é que das 11 entidades, duas cuidam de animais abandonados e 9 de seres humanos: pessoas com deficiência física, visual, intelectual ou múltiplas, pessoas com câncer, toxicômanos, crianças e idosos; e daí vem o mais importante de tudo: das 6 escolhidas pela comunidade farroupilhense para ser ajudadas 2 são as de ajuda aos animais e 4 de apoio a seres humanos. E ainda tem mais, a mais votada de todas as onze é de proteção aos animais!

É importante que se diga que sou defensora dos animais, adoro cães e gatos, tenho 2 cachorros e meio (meio porque meu vizinho tem um cachorro que vive mais na minha casa do que na dele e já considero como meu) e não vivo sem eles! As ONGs de apoio aos animais são de extrema importância, e não quero em nenhum momento desmerecer o trabalho de ninguém, o que quero questionar aqui é a atitude de conscientemente, no momento do voto, pensar: Quem eu vou ajudar? Quem precisa mais do meu voto? Quem tem necessidades que não são supridas suficientemente e posso com um “clic” AJUDAR?
Vejo hoje as pessoas, e não são poucas, escolherem ter um cão ao invés de um filho; é possível ter os dois! Mas para isso é preciso estar disponível, doar a mente e o corpo à atividade de mãe e pai, abdicar por um tempo dos programas individuais para aqueles em família, abdicar de noites de sono perfeito, e de muitas outras coisas para viver a delicia da maternidade e da paternidade.

Vejo as pessoas com tanta dificuldade de se relacionar, de aceitar as “diferenças”, por exemplo entre homens e mulheres, que tentam encontrar na pessoa do mesmo sexo as mesmas características, porque não são mais capazes de ceder ao outro um pouco de espaço para viver as diferenças no relacionamento. Não que eu seja contra as pessoas que fazem esta escolha, acredito que todos somos iguais, e que vale mais é a felicidade e o amor, não importa quem escolhemos para amar.

Da mesma forma que a sociedade em que estou inserida escolheu os cães e gatos para ajudar, de forma indireta excluiu os cadeirantes, os autistas, os cegos, as pessoas com síndrome de down, as pessoas com câncer, os velhos e as crianças. Pode não ter sido de forma consciente, mas esta escolha foi feita!

A sociedade fala da “boca pra fora” que não tem preconceitos, que tem que ajudar o próximo e que é preciso discutir os temas que permeiam o universo da exclusão por diversos fatores como raça, sexualidade, deficiência, obesidade, religião, política e tantos outros que já conhecemos; assusta, entristece e machuca sentir que no momento em que o ser humano tem a chance de ajudar ele se omite, principalmente se estiver escondido atrás de um “voto secreto” que não revela sua real face.

Publico este post como um “protesto” e um desabafo por aquilo que vivemos diariamente na sociedade de hoje, onde as pessoas não conseguem conviver com as diferenças e assim fazem escolhas omissas. Eu luto para modificar esta sociedade, sei que estou criando uma filha que viverá nela, uma criança que aceita as diferenças pela mãe que tem e que espero perpetue este sentimento por toda a vida.

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